Conversando sobre política
Segundo o texto “A invenção da política” de Francis Wolff, a política faz parte da natureza do homem: “o político é constitutivo do homem. Não existem inventores do político. Ele está na natureza do homem...” (p. 26) Esta afirmação foi feita, inclusive, por filósofos gregos como Platão e Aristóteles, mostrando que ambos sabem que a política não foi criada por ninguém, menos ainda pelos gregos. Isso significa que todos os povos sempre viveram politicamente, inclusive os indígenas brasileiros, mesmo antes da chegada dos portugueses, situação esta que não foi aceita pelos “invasores” portugueses, que interpretavam a política como o sistema hierárquico de monarquia absoluta.
Dizer que o homem vive politicamente é afirmar que ele vive e, estes laços políticos transcendem as relações biológicas mantendo a união das comunidades, sendo a vida política a vida da comunidade, mas existem esforços e coerções para que esta vida política coexista, eis o paradoxo da política, quer dizer: “é como se a natureza os obrigasse a viver contra a sua natureza. Dessa dupla natureza é o político” (WOLFF, p. 28).
Na verdade, uma comunidade sem política é uma utopia ou mito. É preciso uma comunidade e assim surge a questão do poder, quer dizer: “Existe política a partir do momento em que uma comunidade se coloca a questão do poder ou desde que o poder exercido por alguns se exerça no quadro de uma comunidade e tendo em vista o seu modo de vida” (p. 28). Isso não significa afirmar que exista hierarquia e autoridade como o caso das empresas.
Estes são os aspectos opostos do constitutivo político, de um lado o comunitário, e do outro o poder, pois não existe política sem comunidade e poder, que é o que assegura a continuidade da existência da comunidade.
Se o homem pudesse viver naturalmente sem as paixões egoístas, o poder seria desnecessário e a vida política seria espontânea e comunitária. Os homens precisam viver em comunidade, mas precisam da coerção para viver em sociedade. Sendo assim, os filósofos políticos são as teorias do poder (como alcançá-lo e conservá-lo). Como deve ser o bom governo para comandar os homens e administrar as coisas.
Os gregos inventaram a democracia que a priori foi exercida em Atenas, mas que é totalmente diferente dessa democracia grega, pois vivemos num Estado que é regido pelo princípio de soberania que se realiza através de representantes (vereadores, prefeitos, deputados, senadores, etc.), neste regime representativo só existe nos períodos de eleições, e as decisões políticas ficam reservadas para alguns “cidadãos privilegiados”
Atividade:
Vamos assistir o filme: Diários de Motocicleta, sob a direção de Walter Sales (2003), uma adaptação para o cinema do dário de Che Guevara, antes de se tornar líder revolucionário. Conta a história do jovem (na época com 23 anos) e sua viagem de oito meses pela América Latina, iniciada na Argentina (seu país de origem) até a Venezuela. Nessa viagem, em companhia do amigo Alberto Granado, começou a ter contato com a realidade do povo da região e das injustiças e misérias que o afligia.
É chegado o momento de discutirmos o vídeo, analisarmos a atual situação política de nossa comunidade, estado e país.
Em grupos, de vamos selecionar reportagens de jornais e revistas e organizar um mural, com a ideias veiculadas nos meios de comunicação, fazendo um comentário do grupo ao final de cada reportagem.


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